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A HISTÓRIA DO DESCOBRIMENTO

Era uma tarde dourada pelo sol dos trópicos. O dia, 22 de abril de 1500. O lugar, Porto Seguro. Âncoras de ferro mergulham nas águas do mar azul, pousando na areia clara do fundo. São 1.350 homens em 12 navios portugueses, sob o comando do capitão-mor Pedro Álvares Cabral. Acaba de ser descoberto o Brasil. Naquela tarde, a visão de gaivotas no céu e de algas flutuando nas águas já havia anunciado aos navegadores o fim de uma viagem de 44 dias entre o céu e o mar. Ela havia se iniciado em Lisboa, em direção à Índia, mas um desvio de rota, intencional ou não, trouxera Cabral ao encontro das terras brasileiras. Partiram de Portugal 13 embarcações, sendo 10 naus e 3 caravelas - a maior e mais poderosa frota já enviada pelos lusos ao Oceano Atlântico. Após duas semanas, uma das naus já havia desaparecido no mar com 150 homens a bordo, mas a viagem prosseguiu sem novos problemas.

O primeiro ponto do relevo brasileiro avistado pela esquadra, a 36 km da costa, é aquele que hoje pode ser admirado da vila de Caraíva, próxima a Trancoso, município de Porto Seguro, ao sul da Bahia. O Monte Pascoal. Seu nome homenageou a celebração da Páscoa, que havia se realizado a bordo no domingo anterior, 19 de abril. Diante do Monte Pascoal, as naves portuguesas estabeleceram seus dois primeiros ancoradouros, em 22 de abril. No dia seguinte, os recém-chegados depararam com os primeiros índios da nação Tupiniquim, ramo da grande família Tupi-Guarani, que amistosamente os receberam em Terra. A esse respeito, registrou o escrivão Pero Vaz de Caminha, em sua carta ao rei de Portugal, Dom Manuel, o Venturoso:

"[...] avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito [...] Nesse dia, enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamboril nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus."

CARAÍBAS, OS SERES SOBRENATURAIS

Habitantes da terra que então chamavam de Pindorama, ou Terra das Palmeiras, os nativos logo apelidaram aqueles homens pálidos, barbados, vestidos e armados, de "caraíbas", palavra que significa "seres sobrenaturais". No primeiro encontro, os indígenas receberam de Nicolau Coelho, navegador veterano da frota, um gorro vermelho, uma touca de linho e um chapéu preto. Em troca os nativos lhe deram um cocar de plumas e um colar de contas brancas.

Nos dias seguintes, 24 e 25 de abril, a esquadra de Cabral deslocou-se para o ponto onde hoje é a vila de Santa Cruz de Cabrália, ao norte de Porto Seguro, aportando próximo à Ponta da Coroa Vermelha. Ali fez seu ancoradouro final em "um arrecife com um porto dentro, muito bom e muito seguro", conforme a descrição de Caminha.


A primeira missa foi celebrada em 1º de maio de 1500 pelo frei Henrique de Coimbra, que 30 anos depois tornou-se inquisidor em Portugal. Até receber o nome Brasil, em parte por causa da madeira vermelha pau-brasil abundante na região, o território recém-descoberto ganhou outras denominações. Cabral destinou-lhe, como nome oficial, Ilha de Vera Cruz. A seguir, o rei Dom Manuel mudou essa denominação para Terra de Santa Cruz. Entretanto, os marujos desembarcados referiam-se ao novo solo como Terra dos Papagaios – e essa denominação aparece no primeiro mapa a representar o Brasil , desenhado em 1502 pelo italiano Alberto Cantino, radicado em Lisboa.